Revolta de 1953 na RDA e ligações históricas com Moçambique geram reflexão sobre o passado político

Noticias365
By -
0



Revolta de 17 de Junho de 1953 na RDA, relações com Moçambique e reflexões históricas

A revolta de 17 de junho de 1953 na antiga República Democrática Alemã (RDA) teve início um dia antes, quando trabalhadores da construção civil em Berlim Oriental entraram em greve. No dia seguinte, o movimento evoluiu para um levantamento generalizado contra o governo da RDA.

A repressão foi violenta, com intervenção de tanques do Grupo de Forças Soviéticas estacionado na Alemanha e da polícia do povo (Volkspolizei). Apesar da ação militar, as greves e protestos espalharam-se e continuaram a ser registados em mais de 500 localidades, mesmo após o dia 17 de junho.

Anos depois, em fevereiro de 1979, Erich Honecker assinou acordos com o então Presidente moçambicano Samora Machel, que viriam a permitir que milhares de jovens de Moçambique fossem trabalhar em fábricas na RDA ou frequentar formação na chamada Escola da Amizade, em Staßfurt.

Na altura, a narrativa oficial em Moçambique apontava para dificuldades económicas internas após a independência, incluindo a queda das receitas do Estado devido à redução de trabalhadores moçambicanos nas minas da África do Sul, bem como a perda de mão-de-obra qualificada com a saída dos portugueses.

Neste contexto, o discurso do “internacionalismo proletário” e da “solidariedade entre povos” era promovido pelo governo moçambicano, apresentando a RDA como um país socialista próspero e exemplar no respeito pelos direitos humanos. Contudo, segundo esta visão crítica, a realidade seria diferente, com a RDA a ser descrita como um regime marcado por controlo político e práticas de manipulação eleitoral, apesar do seu nome oficial.

Pouco se falava em Moçambique sobre a repressão da revolta de 1953 por tanques soviéticos, nem sobre a construção do Muro de Berlim em 1961, que teria servido não para proteger a RDA de ameaças externas, mas para impedir a fuga dos seus próprios cidadãos.

Também é referido que a RDA enfrentava uma grave crise financeira e necessitava de divisas, obtidas em parte através de atividades como o comércio secreto de armas. Segundo relatos, estruturas ligadas a essas operações chegaram a existir em Maputo.

O autor recorda ainda que, durante a visita triunfal de Honecker a Moçambique, era membro do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), alinhado com a FRELIMO, tendo iniciado formação em marxismo-leninismo.

Mais tarde, ao descobrir que o seu avô, falecido em 1969, havia participado nas manifestações de 17 de junho de 1953, a sua perspetiva política mudou profundamente.

Hoje, o autor afirma lembrar-se especialmente do seu avô e de todos os trabalhadores que tiveram coragem de resistir naquele dia, há 73 anos.
Tags:

Enviar um comentário

0 Comentários

Enviar um comentário (0)

#buttons=(Ok, Go it!) #days=(20)

Our website uses cookies to enhance your experience. Check Out
Ok, Go it!